'A bola me salvou': jovens vencem leucemia e depressão com a ajuda do futebol

  • 03/06/2026
(Foto: Reprodução)
'A bola me salvou': jovens vencem leucemia e depressão com a ajuda do futebol A paixão pelo futebol ultrapassa as quatro linhas do campo e se transforma em uma ferramenta de cura para quem enfrenta batalhas na saúde física e mental. Histórias como a de Lohran Barbarini, de 16 anos, que superou uma leucemia, e a do jogador Gabriel Senise, que enfrentou a depressão, mostram como o esporte atua como abrigo e ponto de força durante tratamentos médicos severos. "A felicidade de poder voltar a jogar, poder voltar a correr, a se divertir com a bola, não tinha preço ali. Era o momento mais feliz do meu dia. A bola dá até para falar que ela me salvou", afirma Lohran. "O futebol, a bola, todo o ambiente que gira em torno do esporte, da modalidade em si, foi o que me resgatou na realidade. Às vezes eu falo isso para as pessoas, elas dão risada, elas não entendem isso. Mas é forte, é forte tudo isso", garante Gabriel. Diagnóstico de leucemia A história de Lohran com o esporte começou cedo, com apenas um aninho. "Ele mal começou a andar, com um ano e um mês, e ele já começou a chutar a bola. E ele chutava forte a bola", conta a mãe, Fernanda Barbarini. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp Lohran jogou em escolinhas de futsal e futebol de campo em Campinas (SP) até os oito anos de idade. A rotina de treinos foi interrompida quando o menino foi diagnosticado com leucemia LMA-M3 hemorrágica. Inicialmente, a família acreditava que as dores no corpo da criança eram causadas pelas quedas nos esportes ou pelo próprio crescimento, mas os exames confirmaram a doença grave. Lohran Barbarini, de 16 anos, enfrentou um tratamento contra uma leucemia ainda na infância e conta que a paixão pela bola ajudou na busca pela cura Reprodução/EPTV Força na quimioterapia O momento mais marcante do tratamento ocorreu nos três primeiros meses de quimioterapia, considerados os mais críticos pela família. Após passar 29 dias sem andar, fraco e com perda muscular, Lohran foi surpreendido por uma fisioterapeuta respiratória que levou uma pequena bola para exercícios nas mãos. Ao ver o objeto, a mãe conta que o menino foi para o chão e, mesmo sem firmeza nas pernas, tentou fazer embaixadinhas. "Foi nisso aí que eu esqueci a maioria dos meus problemas e imaginei dentro de campo voltando a jogar, coisa que eu sempre quis fazer", relembra Lohran. Fernanda Barbarini explica que a feição do filho mudou instantaneamente durante a brincadeira no hospital. "A redonda, cada vez que ele pega, ele fala que sente a magia, a felicidade. Com certeza a bola acelerou a cura", diz. Para Lohran, o contato com a bola ajuda a acalmar mente e corpo. "A bola muitas vezes cura, porque ela substitui muitas coisas, às vezes seus problemas", completa. Saúde mental abalada Gabriel Senise encarou um quadro de depressão após viajar para a Europa para jogar futebol, mas apesar da pressão do mundo profissional, vê no esporte um meio de resgate Reprodução/EPTV O poder de resgate do futebol também foi fundamental para Gabriel Senise, que, aos 18 anos, após o fim do ensino médio, viajou para atuar na Europa. O que era a realização de um sonho de infância na Espanha e em Portugal se transformou em um período de grande instabilidade emocional. O atleta conta que sofreu com a distância da família, o clima frio e a pressão profissional do mundo do futebol. A soma desses fatores desencadeou crises de ansiedade, ataques de pânico e o desenvolvimento de um quadro depressivo. Os sintomas físicos e psicológicos se agravaram ao ponto de Gabriel emagrecer 6 kg em apenas um mês. O diagnóstico e a aceitação da doença vieram após ele sofrer uma crise forte durante a noite e precisar ser levado ao hospital, onde passou a receber medicação. "A gente fica assim numa recusa no começo. A gente se nega a tomar, a gente se nega a aceitar o que está acontecendo, mas isso é algo que acontece muito mais do que a gente imagina. A única coisa que eu realmente pensava quando eu estava doente, era quando eu ia sair para poder voltar a jogar bola. Tinha dor física, psicológica, mas nunca deixei de sonhar, nunca deixei de acreditar que eu ia sair de lá", relata Gabriel. Rede de apoio De acordo com o psicólogo esportivo Rubens Oliveira, o futebol funciona como uma gigantesca rede de apoio. O especialista explica que a sociedade atual vive com um olhar excessivo para o futuro ou para o passado, e o esporte ajuda a trazer o paciente para o momento presente. "A gente fala muito sobre um olhar em excesso para o futuro ou olhar demais para o passado, mas a gente não vive o presente. Isso influencia e potencializa esse processo de cura, independente de qual seja", afirma. De goleiro de 14 anos a motorista veterano: histórias mostram paixão pelo futebol De goleiro de 14 anos a motorista veterano: histórias mostram paixão pelo futebol VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/06/03/a-bola-me-salvou-jovens-vencem-leucemia-e-depressao-com-a-ajuda-do-futebol.ghtml


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