Após caso de raiva em gata, Campinas mapeia 180 animais no entorno de cemitério e vacina de casa em casa
04/08/2026
(Foto: Reprodução) Campinas confirma 1º caso de raiva em gatos desde 2016
A Prefeitura de Campinas (SP) realizou, nesta terça-feira (4), uma vacinação de cães e gatos de casa em casa no entorno do Cemitério da Saudade, na Vila Paraíso. A ação de bloqueio ocorreu após a confirmação do primeiro caso de raiva em um felino na cidade desde 2016.
Entre sexta-feira (31) e segunda-feira (3), agentes de saúde mapearam 180 animais domésticos em um raio de 300 metros do cemitério. O objetivo foi identificar a quantidade de cães e gatos na vizinhança e verificar quais estavam com a vacina atrasada.
O médico veterinário Bruno Emerson Bernardes da Silva, da Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) de Campinas, explicou como foi o trabalho. "Nós fomos orientando sobre a prevenção da raiva, investigando se alguém já tinha tido contato com o caso positivo da gata encontrada no cemitério".
Os moradores do entorno do cemitério que não estavam em casa durante a ação desta terça receberam um aviso para vacinarem seus pets no próximo sábado (8).
Na segunda (3), a equipe da UVZ também vacinou os gatos que vivem dentro do cemitério e na área externa. A ação contou com o apoio de protetoras de animais que atuam no local.
Raiva furiosa x Raiva paralítica
Apesar do registro da doença, a prefeitura descartou uma campanha de vacinação em massa na cidade, o chamado "Dia D". A decisão segue as diretrizes do Ministério da Saúde e do Instituto Pasteur.
"A questão aqui é a seguinte: nós fazemos essa vacinação de bloqueio. Agora, a questão de vacinação em forma de campanha, pelas normativas de profilaxia de raiva hoje do Instituto Pasteur e do Ministério da Saúde, nós não fazemos porque temos a forma paralítica", disse Silva.
Raiva: o que é, transmissão, sintomas, diagnóstico e prevenção
A variante canina do vírus da raiva, associada à forma furiosa da doença, não circula no estado de São Paulo há mais de duas décadas. O último caso humano provocado por essa variante foi registrado em 1997, e o último caso em cães e gatos, em 1998.
Diante desse cenário, São Paulo decidiu suspender, a partir de 2022, as campanhas anuais de vacinação contra a raiva. Foram mantidas a imunização de rotina, a vacinação de animais que tiveram contato com morcegos e as ações de bloqueio de foco.
No caso recente de Campinas, a gata que morreu contraiu a variante do morcego, que causa a raiva paralítica. Os sintomas incluem prostração e sinais neurológicos, o que reduz o risco de ataques.
"Antigamente, na forma furiosa, onde o cão saía atacando e mordendo as pessoas, era outro tipo de vírus. Agora, com esse tipo de vírus, o animal fica prostrado e é preconizada somente a vacinação no bloqueio, no entorno onde foi encontrado o caso", explicou o veterinário.
Gata Luna recebe vacina contra a raiva durante ação no entorno do Cemitério da Saudade, em Campinas (SP), no dia 4 de agosto de 2026
Bianca Rosa/EPTV
Vacinação e palestras
Segundo a prefeitura, a vacina antirrábica gratuita segue disponível durante todo o ano na sede da UVZ. O atendimento deve ser agendado de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, pelo telefone (19) 2515-7044.
Nas próximas semanas, a prefeitura fará:
ações educativas para evitar o contato de visitantes com os gatos do cemitério; e
palestras para os funcionários do cemitério sobre os riscos da interação com os animais.
Apenas em 2026, a administração municipal já identificou quatro morcegos positivos para a raiva em Campinas.
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