Cágado amazônico perde população e entra na lista de espécies ameaçadas

  • 27/07/2026
(Foto: Reprodução)
Cágado amazônico perde população e entra na lista de espécies ameaçadas Claudio Dias Timm/Animalia Após perder mais de 50% da população no oeste do Pará e no estado do Amazonas, o pitiú (Podocnemis sextuberculata), também chamado de iaçá, passou a integrar a Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, na categoria "Em Perigo". 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram A nova classificação acende um alerta para a conservação da espécie, que enfrenta ameaças provocadas principalmente por ações humanas. Segundo o pesquisador Raphael Alves Fonseca, analista ambiental do Ibama e coordenador do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Quelônios Amazônicos, embora a captura continue sendo a principal ameaça, diferentes fatores também têm contribuído para o declínio populacional observado em diversas regiões da Amazônia. "Outros fatores colaboraram, como perda de habitat e degradação ambiental, principalmente em áreas de nidificação — onde constroem seus ninhos, botam seus ovos e criam seus filhotes —. Por conta desses fatores, muitas populações entraram em declínio, como, por exemplo, na bacia do Rio Tapajós." Mesmo com a nova classificação, ainda não é possível estimar quantos indivíduos existem na natureza. De acordo com o especialista, esse tipo de levantamento exige estudos populacionais em toda a Amazônia. O que já foi constatado é a redução das populações em diferentes localidades onde há monitoramento reprodutivo da espécie. Veja mais notícias do Terra da Gente, no g1: FORTALEZA NATURAL: Por que o fruto dessa árvore explode? Ciência explica como o assacu lança sementes a dezenas de metros EDUCAÇÃO: Biólogo se dedica à criação de abelhas sem ferrão e aproxima crianças da natureza COGUMELOS: Pela 1ª vez, Brasil cria lista oficial de fungos ameaçados de extinção Declínio pela degradação O declínio do iaçá não ocorre da mesma forma em toda a área de distribuição da espécie. Enquanto algumas regiões registram redução populacional, outras permanecem estáveis ou apresentam até tendência de crescimento. Segundo o analista ambiental, esse cenário está diretamente relacionado ao estado de conservação dos ambientes. Regiões como a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá e a Reserva Biológica (Rebio) Abufari, unidades de conservação federal e estadual que são referência na proteção da espécie, ainda mantêm populações preservadas graças à boa qualidade ambiental. Imagem do Rio Arapiuns José Cruz/Agência Brasil "A maior ameaça para a espécie, na visão de especialistas, são as alterações de regime hídrico, que impactam negativamente o sucesso reprodutivo da espécie. Locais onde a pressão de captura não é controlada também causam declínio populacional." O pesquisador acrescenta que existem indícios de que o iaçá seja mais sensível do que outros quelônios amazônicos à contaminação da água por metais pesados e agrotóxicos. No entanto, essa hipótese ainda precisa ser confirmada por estudos científicos. O que muda? O pitiú desempenha funções importantes para o funcionamento dos ecossistemas aquáticos. A espécie alimenta-se de matéria orgânica de origem vegetal e integra a cadeia alimentar, servindo de alimento para peixes, jacarés e aves, principalmente durante os primeiros estágios de vida. Também pode atuar na dispersão de sementes e funcionar como indicador da qualidade ambiental dos rios. A entrada da espécie na lista nacional de ameaçadas reforça a necessidade de ampliar as ações voltadas à sua recuperação. Veja o que é destaque no g1: Agora no g1 Na prática, porém, a mudança não cria novas restrições ao uso do animal. O consumo, o comércio e o manejo do iaçá já eram proibidos antes mesmo da reclassificação, afirma Raphael. Atualmente, apenas o tracajá (Podocnemis unifilis) e a tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa) podem ser criados para fins comerciais por criadores licenciados ou em sistemas comunitários autorizados. Além disso, o iaçá já é contemplado por quatro ações específicas no Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Quelônios Amazônicos. As medidas incluem a ampliação do monitoramento e da proteção da espécie, além de iniciativas para reduzir os impactos da poluição, das hidrelétricas e das mudanças climáticas. Espécie mais vulnerável Na avaliação do especialista, o iaçá corre hoje um risco maior de extinção do que outras espécies do mesmo gênero, como o tracajá e a tartaruga-da-amazônia. Isso ocorre porque sua área de distribuição é mais restrita e porque a espécie apresenta maior sensibilidade à pressão de captura e às alterações ambientais, especialmente às mudanças climáticas e à degradação da qualidade da água. Esse cenário reforça a necessidade de ampliar as medidas de conservação nas áreas onde a espécie ocorre, com ações voltadas à proteção dos habitats, ao controle da captura e ao monitoramento das populações, especialmente diante dos impactos das mudanças climáticas e da degradação ambiental. *Sob supervisão do Rodrigo Peronti. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2026/07/27/cagado-amazonico-perde-populacao-e-entra-na-lista-de-especies-ameacadas.ghtml


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