Mulheres chefiam 8 em cada 10 famílias com crianças e adolescentes com deficiência em Campinas

  • 26/08/2026
(Foto: Reprodução)
Mulheres chefiam 8 em cada 10 famílias com crianças e adolescentes com deficiência em Camp "O Pedro é o amor da minha vida. Eu cuido com todo amor e carinho, jamais vou abandonar meu filho. É cansativo, não é fácil. Eu não tenho vida". O desabafo de Rute Batista resume uma rotina em que amor e exaustão caminham lado a lado. Há 12 anos, ela dedica os dias aos cuidados do filho. Pedro nasceu prematuro, teve paralisia cerebral, descolamento de retina e falta de oxigenação no cérebro. Não anda, não fala e não enxerga. “A mãe atípica precisa de um abraço, de um apoio. Ela chora, sofre calada, ninguém vê”, lamenta. Em Campinas (SP), essa sobrecarga aparece também nos números. Dados do Cadastro Único mostram que 6.078 famílias cuidam de crianças ou adolescentes com deficiência. Em 79% delas, a mulher é a responsável familiar. Bruna de Assis conhece de perto essa realidade. O filho Bernardo, de 2 anos, tem a síndrome rara de Wolf-Hirschhorn. Não anda nem engatinha e se alimenta por sonda, com a ajuda de uma bomba de infusão alimentar hospitalar. “Eu que sou a linha de frente do Bernardo. Tratamento, consultas, internações, sou eu que passo a noite, eu que converso com o médico. Então, eu não tenho ninguém para dividir”, conta. Filho de Rute Batista nasceu prematuro, teve paralisia cerebral, descolamento de retina e falta de oxigenação no cérebro Reprodução/EPTV No dia da entrevista, Bernardo estava internado depois de uma convulsão. Entre consultas, terapias, internações e noites em claro, Bruna admite que o cuidado com ela mesma ficou para depois. “Faz muito tempo que eu não faço exames de rotina, não tenho cuidados psicológicos. A gente, como mãe atípica, necessita de um cuidado”, adirma. Para a psicóloga Camila Canguçu, que também é mãe atípica, esse esquecimento de si pode cobrar um preço. “São as mães, são as tias, são as avós que deixaram de trabalhar ou deixaram de fazer atividades que costumavam fazer para se dedicar a esse cuidado. Com o tempo, depressão, ansiedade, sobrecarga, tudo isso vai começar a aparecer”, destacou. Ministério da Saúde lança serviço online gratuito de apoio a saúde mental de mãe atípicas Um cuidado para quem cuida Desde segunda-feira (24), mães atípicas e outras cuidadoras passaram a contar com uma nova possibilidade de atendimento em saúde mental pelo SUS. O Ministério da Saúde passou a oferecer 100 mil teleatendimentos mensais para mulheres em situação de violência e para familiares que cuidam de pessoas com deficiência, transtornos do neurodesenvolvimento ou doenças raras. O serviço pode ser acessado pelo aplicativo Meu SUS Digital. Depois do cadastro, a equipe entra em contato em até 24 horas para agendar a consulta. Os atendimentos são feitos por psicólogas, de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 14h. Cada usuária pode fazer até dez sessões, com possibilidade de um novo ciclo. Para mulheres acostumadas a colocar as necessidades dos filhos à frente das próprias, a iniciativa tenta abrir um espaço, ainda que por algumas horas, para que o cuidado também mude de direção. “Nós, mães atípicas, precisamos de um apoio, de um amor, de um carinho, de um abraço, de uma atenção. Não são só os filhos”, resume Rute. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/08/26/mulheres-chefiam-8-em-cada-10-familias-com-criancas-e-adolescentes-com-deficiencia-em-campinas.ghtml


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