Novo fungo 'zumbi' que controla aranhas é descoberto em Minas Gerais
01/04/2026
(Foto: Reprodução) Novo fungo 'zumbi' é descoberto em aranhas no campus da UFV, em MG
Para encontrar algo inédito na natureza, nem sempre é preciso ir a locais isolados. Em uma área de Mata Atlântica dentro do campus da Universidade Federal de Viçosa (UFV), pesquisadores descobriram uma nova espécie de fungo zumbi. O achado, realizado ao lado de uma cidade de 80 mil habitantes, revela a riqueza da biodiversidade escondida em fragmentos urbanos.
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O trabalho é resultado da dissertação de mestrado de Aline dos Santos, sob orientação da Dra. Thairine Mendes Pereira e do professor Thiago Gechel Kloss. A descoberta da nova espécie, batizada de Gibellula mineira, ocorreu durante um estudo que inicialmente buscava avaliar alterações comportamentais em aranhas.
Novo fungo 'zumbi' é descoberto em aranhas no campus da UFV, em MG
Pesquisadores / divulgação
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O desafio da identificação
Identificar a aranha hospedeira foi um dos maiores desafios da equipe, já que o fungo cobre quase todo o corpo do animal durante o parasitismo.
"A solução veio por meio de uma busca intensa por indivíduos em estágios iniciais de crescimento da colônia do fungo, quando ainda é possível ver a morfologia da aranha", explica o professor Kloss.
Novo fungo 'zumbi' é descoberto em aranhas no campus da UFV, em MG
Pesquisadores / divulgação
Com o apoio do Instituto Butantan, a hospedeira foi identificada como a aranha Iguarima censoria. Já a confirmação da nova espécie de fungo foi feita por meio de análises de DNA e comparações morfológicas com todas as outras espécies conhecidas do gênero Gibellula.
Novo fungo 'zumbi' é descoberto em aranhas no campus da UFV, em MG
Pesquisadores / divulgação
Manipulação e 'zumbificação'
A pesquisa observou que o fungo induz mudanças drásticas no comportamento das aranhas. Enquanto indivíduos saudáveis costumam ficar na face superior das folhas para caçar, as aranhas infectadas são levadas a morrer na face inferior, em locais mais altos e com menor luminosidade.
Novo fungo 'zumbi' é descoberto em aranhas no campus da UFV, em MG
Pesquisadores / divulgação
"Nossa interpretação inicial é que a morte em posições mais altas favorece a dispersão dos esporos, enquanto a escolha de locais menos iluminados pode reduzir a desidratação do fungo", comenta Kloss.
Além disso, experimentos mostraram que a face inferior das folhas protege os esporos da chuva, garantindo que o fungo permaneça viável por mais tempo.
Biodiversidade no 'quintal'
A descoberta foi feita na "Mata da Biologia", uma área de 75 hectares dentro da universidade. O estudo reforça que mesmo pequenos fragmentos florestais inseridos em cidades podem revelar espécies novas para a ciência.
Novo fungo 'zumbi' é descoberto em aranhas no campus da UFV, em MG
Pesquisadores / divulgação
O próximo passo dos pesquisadores é entender como o fungo consegue manipular o sistema fisiológico da aranha.
"Acredito que novas espécies serão descobertas nos próximos anos nesse fragmento de Mata Atlântica", conclui Thiago Kloss.
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