Pesquisa da USP revela que própolis verde tem potencial contra Alzheimer e Parkinson
25/02/2026
(Foto: Reprodução) Própolis verde tem potencial de proteção contra Alzheimer e Parkinson
Uma pesquisa de doutorado desenvolvida na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da Universidade de São Paulo (USP) identificou que compostos presentes na própolis verde — substância produzida por abelhas — têm potencial de atuação contra doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson.
Os testes foram feitos em laboratório e os resultados foram publicados em um artigo científico na revista Chemistry & Biodiversity.
📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp
Os cientistas descobriram que determinados compostos da própolis verde podem proteger as células nervosas contra danos e morte celular, o que sugere que esses componentes inibem processos associados à degeneração neurológica.
A pesquisa envolveu a extração dos compostos artepelina C e bacarina, observando-se que eles podem estimular os neurônios a se diferenciarem, se conectarem e evitarem a perda celular.
De forma simples, as substâncias ajudam a célula do cérebro a sofrer menos com processos que causam danos, a manter melhor o seu funcionamento e a ativar mecanismos naturais de adaptação. Isso faz com que as células fiquem mais resistentes e capazes de se reorganizar e formar novas conexões.
Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente:
FUGINDO DO CONCRETO: Projeto tem passeios gratuitos para observar aves em parques de SP
IMPRESSIONANTE: Flagrante mostra perereca resistindo a ataque de cobra em Macaé, RJ
VIDA CURTA: Nascer, acasalar e morrer em 5 minutos; os animais de vida curtíssima
Própolis verde para análise
Gabriel Rocha Caldas
Testes em laboratório
Foram realizados testes in vitro com células nervosas cultivadas em laboratório, que evidenciaram efeitos promissores das propriedades bioativas da própolis verde. Os resultados apontam potencial para o desenvolvimento futuro de terapias voltadas a doenças neurológicas.
Além disso, o estudo reforça a importância da substância como fonte natural de compostos com atividade biológica relevante para a saúde do sistema nervoso.
O farmacêutico Gabriel Rocha Caldas, autor principal do estudo — que é fruto de sua pesquisa de doutorado orientada pelo professor Jairo Kenupp Bastos —, explica a ação demonstrada pelos compostos:
“Essas doenças têm em comum a perda progressiva de neurônios. Os compostos presentes na própolis verde mostraram potencial para ajudar na proteção das células do cérebro e em processos ligados à regeneração e adaptação dos neurônios.”, afirma.
O papel do alecrim-do-campo
Abelha coletando resina do alecrim-do-campo
Michel Stórquio Belmiro/ Wikimedia Commons
O que diferencia a própolis verde da comum é a origem botânica. Enquanto a própolis marrom (a mais conhecida) provém de uma extração polifloral — ou seja, é produzida a partir de uma mistura de resinas de várias plantas —, a verde vem da resina de uma planta específica: o alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia).
Por isso, alguns de seus compostos são únicos e demonstram propriedades de grande interesse para a ciência.
A própolis, em geral, é conhecida por suas propriedades antissépticas, anti-inflamatórias, antifúngicas, antioxidantes e por atuar como um antibiótico natural.
Ela é produzida pelas abelhas como mecanismo de defesa e higiene da colmeia, servindo para vedar frestas contra vento e chuva, reforçar a estrutura interna e embalsamar invasores mortos, impedindo sua decomposição.
Gabriel destaca o motivo da escolha da versão verde para a pesquisa:
“A motivação principal foi o fato de a própolis verde ser um produto tipicamente brasileiro, muito rico em substâncias naturais e já conhecido por apresentar ações antioxidantes e anti-inflamatórias. Já existiam estudos mostrando que alguns compostos da própolis tinham potencial para proteger células; com isso, nosso objetivo foi investigar se esses compostos poderiam atuar diretamente em células do sistema nervoso.”
Próximos passos
Alecrim-do-campo
loris49/ iNaturalist
Segundo o cientista, para que os compostos específicos da própolis verde possam ser utilizados como medicamentos para fins neurológicos, ainda são necessários estudos mais aprofundados para definir a dose adequada, a segurança, a forma de uso e a eficácia em modelos mais complexos.
Ele destaca também que, mesmo para o uso como suplemento, a procedência e a qualidade do produto são essenciais, pois a composição pode variar muito de acordo com a origem e o processo de produção.
O estudo evidencia como os conhecimentos da natureza podem impulsionar o avanço da medicina, destacando o papel essencial das abelhas na criação de um composto com tamanho potencial científico.
*Sob supervisão de Rodrigo Peronti.
VÍDEOS: Destaques Terra da Gente
Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente