Polilaminina: hospital no interior de SP fornece placentas para produção de substância testada no tratamento de lesões medulares

  • 07/03/2026
(Foto: Reprodução)
Polilaminina: entenda como funciona a doação de placenta para a pesquisa em andamento Fica em Itapira (SP), cidade de 72 mil habitantes no interior de São Paulo, o hospital responsável por coletar doações de placentas, "matéria-prima" para a produção da polilaminina, substância que está sendo testada com autorização da Anvisa para o tratamento de pessoas com lesão medular aguda. ➡️ A polilaminina é um composto recriado em laboratório a partir da laminina, proteína produzida no corpo humano, especialmente durante o desenvolvimento embrionário, quando exerce papel fundamental na organização dos tecidos e no crescimento celular. Com média de 40 partos realizados por mês, a unidade é parceira, desde abril de 2025, de um laboratório privado, instalado na cidade, que produz a polilaminina usada pela pesquisadora Tatiana Sampaio. Ao todo, 140 mães já colaboraram com a pesquisa e tiveram as placentas coletadas. "A equipe de enfermagem acolhe a gestante, conversa, apresenta o projeto para ela e aí ela pensa se quer ser uma doadora ou não. Então, até hoje, das gestantes que foram aptas para essa doação, a gente nunca teve negativa", conta Mônica Cobra, coordenadora de enfermagem do Hospital Municipal de Itapira. ➡️ São critérios para participar da pesquisa Que a gestante tenha entre 18 e 36 anos; Não tenha feito uso de tabaco (fumo), álcool e drogas na gestação; Sem doenças infectocontagiosas, como HIV e sífilis. ⚠️ Outro critério que inviabiliza o uso da placenta é caso ocorra o mecônio durante o parto, que é a primeira evacuação do bebê. Mônica ressalta que a placenta, em todos os partos, é tratada como um lixo hospitalar e descartada como tal. As mães que não autorizam a doação ou não se enquadram nos critérios, têm o material descartado da mesma maneira. ❄️ Freezer a -20º C Freezer do Hospital Municipal de Itapira (SP) onde são armazenadas as placentas doadas e que são utilizadas por um laboratório farmacêutico para a produção da polilaminina André Luis Rosa/EPTV Para que possam ser utilizadas pelo laboratório, as placentas doadas são congeladas logo após o parto, em um freezer a -20º C. Apesar da avaliação de riscos antes do parto, todas as placentas doadas passam por uma bateria de testes, cujos resultados ficam prontos entre 15 e 20 dias. Mônica explica que as placentas têm, em média, de 1,5kg a 2kg, e ficam armazenadas inicialmente no freezer do hospital. Quando há dez materiais já colhidos, eles são enviados ao laboratório e aguardam os resultados dos exames para uso. Vale destacar que apenas o hospital tem o controle dos dados pessoais. Para o laboratório, o material congelado é identificado somente com um número de prontuário. Itapira na pesquisa O hospital escolhido fica na mesma cidade do laboratório parceiro que produz, a partir da laminina obtida nas placentas, a polilaminina usada nos testes clínicos. Segundo Rogério Almeida, diretor-presidente de pesquisa e inovação do laboratório Cristália, a ideia é caminhar para um pedido de registro definitivo da substância. "A gente entra justamente nessa etapa para escalar a produção, fazer todas as provas necessárias que a Anvisa solicita, e submeter o pedido de registro definitivo à Anvisa, para que a partir do momento que o registro seja concedido, a gente poder disponibilizar o acesso à população desse medicamento", diz. Pesquisa em andamento Em seu trabalho, a pesquisadora Tatiana Sampaio conseguiu bons resultados com o uso da polilaminina em animais e, posteriormente, em um pequeno grupo de pessoas. POLILAMININA: entenda o que a substância pode fazer e o que ainda não se sabe Isso levou à parceria com o Cristália e à aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o início dos testes clínicos que devem responder: a polilaminina funciona mesmo como tratamento para pessoas com lesão medular aguda? "Se você me perguntar se eu acho que nós já chegamos ao estágio final de desenvolvimento da polilaminina, se estou convencida de que ela é a cura para a lesão medular? Não! Então, o que a gente precisa? A gente precisa acompanhar, ao longo do tempo, pessoas que tiveram lesões medulares reais e que não tinham esperança nenhuma de voltarem a ter movimentos. Então, é isso que precisa acontecer", diz Tatiana. Entenda como funciona a polilaminina. Arte/g1 O que a polilaminina pode fazer? A pesquisa mostrou que há indícios de que ela pode ajudar na regeneração em casos de lesão medular aguda, que é aquela que acontece logo após o trauma na região. 🔎 Para você entender melhor: A coluna vertebral é formada por vários ossos que se empilham e formam um canal no centro da estrutura óssea. É por esse canal que passa a medula espinhal — um feixe de nervos que conecta o cérebro ao restante do corpo. Ela funciona como uma via de comunicação: transmite os comandos do cérebro para os músculos e leva de volta informações como dor, temperatura e tato. Quando há uma lesão, essa comunicação fica interrompida. ➡️ É nesse ponto que a substância entra. O objetivo é que, ao ser aplicada no local da lesão, ela estimule os nervos a criarem novas rotas e restabelecerem parte dos movimentos. Polilaminina é alvo de pesquisa de Tatiana Sampaio em laboratório da Universidade Federal do Espírito Santo Reprodução/ TV Globo No ano passado, a equipe de Sampaio divulgou os resultados de um estudo preliminar — que não teve revisão por pares, ou seja, por especialistas independentes — com oito pacientes. Alguns tiveram alguma evolução, enquanto outros apresentaram recuperação significativa dos movimentos. O que os dados divulgados mostram até agora: O estudo preliminar envolveu oito pacientes com lesão medular aguda e apontou diferentes níveis de recuperação motora. Nem todos tiveram recuperação completa — o caso que viralizou nas redes sociais não representa o resultado observado em todos os participantes. Os resultados ainda não passaram por revisão por pares, que é o processo em que especialistas independentes analisam a metodologia, os dados e as conclusões. Essa etapa é considerada fundamental para validar achados na ciência. Como o estudo foi feito com um grupo pequeno de pessoas, não é possível afirmar, com base nesses dados, que a substância é realmente eficaz. Amostras reduzidas dificultam conclusões definitivas. Ainda mais porque as lesões são de diferentes níveis. Não há evidência científica de que a polilaminina possa funcionar no tratamento de lesões medulares crônicas, em pacientes que já têm a paralisia há algum tempo. Isso não foi pesquisado nessa etapa. O que estamos vendo agora é um resultado muito estimulante, promissor. Mas, por enquanto, é só uma esperança. Não dá para saber se estamos mesmo diante de algo espetacular. Estudo da polilaminina apontam que proteína pode ajudar a devolver movimentos para quem tem lesões na medula Reprodução/TV Globo VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias da região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/03/07/polilaminina-hospital-no-interior-de-sp-fornece-placentas-para-producao-de-substancia-testada-no-tratamento-de-lesoes-medulares.ghtml


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