Professora da Unicamp investigada por furto de vírus estuda vacinas e doenças em animais

  • 25/03/2026
(Foto: Reprodução)
Justiça Federal concede liberdade provisória a pesquisadora suspeita de furto na Unicamp A professora Soledad Palameta Miller, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), investigada por furto de um vírus dentro da universidade, desenvolve pesquisas voltadas à criação de vacinas e ao estudo de doenças em animais, incluindo aquelas que podem ser transmitidas a humanos. Ela também integra o Comitê de Ética em Pesquisa da universidade, segundo lista oficial de membros da gestão 2024-2028 obtida pelo g1. Miller, de 36 anos, atuava na Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA) e coordenava um laboratório com foco em virologia e biotecnologia aplicada a alimentos. Ela foi presa em flagrante na segunda-feira (23), após a Polícia Federal localizar as amostras virais em laboratórios usados pela professora. Solta em audiência de custódia, Miller está proibida de entrar nos laboratórios da Unicamp envolvidos na investigação. A defesa da docente afirma que não há materialidade de furto e sustenta que a pesquisadora utilizava o laboratório do Instituto de Biologia por não possuir estrutura própria. Linhas de pesquisa As principais frentes de atuação da pesquisadora incluem: Desenvolvimento de vacinas: criação de imunizantes, principalmente para uso veterinário, e estudo de novas formas de produção em laboratório, mais rápidas e eficientes. Doenças em aves: pesquisa sobre vírus que afetam a avicultura, com foco em diagnóstico e controle, área relevante para a produção de alimentos. Vírus em animais: monitoramento de vírus em aves, morcegos e outros animais, com objetivo de identificar riscos de transmissão para humanos. Vírus respiratórios: estudos voltados ao desenvolvimento de novas formas de tratamento para infecções respiratórias, especialmente em grupos mais vulneráveis. As informações constam no currículo Lattes e em descrições de projetos acadêmicos em andamento da docente. Miller, que nasceu na Argentina, é biotecnologista pela Universidade Nacional de Rosario e doutora em ciências na área de fármacos, medicamentos e insumos para saúde pela Unicamp. Entre 2017 e 2022, trabalhou como analista no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) em projetos na área de engenharia de vetores virais, imunomodulação e anticorpos monoclonais dirigidos para terapia de câncer. A professora doutora Soledad Palameta Miller foi presa suspeita de furtar material biológico de um laboratório na Unicamp Reprodução Investigação A investigação teve início após o desaparecimento de amostras de um laboratório de virologia do Instituto de Biologia da Unicamp, em fevereiro. Após apuração, o material foi localizado em instalações da FEA, onde a professora atua. A pesquisadora foi presa em flagrante pela Polícia Federal e liberada após audiência de custódia. Segundo a Justiça Federal, ela deve responder por suspeitas de: crimes relacionados à manipulação irregular de organismos geneticamente modificados; exposição de pessoas a risco; e possível interferência em investigação. O material apreendido foi encaminhado para análise por órgãos federais, e o caso segue sob sigilo. A Unicamp informou que instaurou uma sindicância interna para apurar o caso. Infográfico mostra local de onde amostras de material biológico foram retiradas na Unicamp, e por quais crimes a professora Soledad Palameta Miller vai responder na Justiça Arte g1 Nível de biossegurança As amostras de vírus que teriam sido levadas do laboratório de virologia foram retiradas de uma área de nível 3 de biossegurança (NB-3), que exige protocolos rigorosos e é, atualmente, o nível mais alto possível para se estudar agentes infecciosos (como vírus e bactérias) em laboratórios no Brasil. 🔎 A classe de risco 3 é aquela em que o agente infeccioso apresenta alto risco para o indivíduo e risco moderado para a comunidade. São agentes que podem causar doenças graves ou letais, transmitidos especialmente pelo ar, e podem se espalhar na comunidade, embora existam medidas de prevenção e tratamento. Exemplos: Bacillus anthracis e vírus da imunodeficiência humana (HIV). O Orion, primeiro laboratório do Brasil com nível 4 (máximo) de biossegurança está em construção em Campinas, com previsão de ficar pronto em 2027. Unicamp interdita laboratórios após furto de material de pesquisa, e Polícia Federal é acionada Junia Vasconcelos/EPTV VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/03/25/professora-da-unicamp-investigada-por-furto-de-virus-estuda-vacinas-e-doencas-em-animais.ghtml


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