Quem é o homem apontado como dono da plataforma de apostas preso em operação no interior de SP
21/05/2026
(Foto: Reprodução) Suspeito de liderar esquema de golpes na internet é preso em condomínio de Campinas
Alberth Cesar Janjon, apontado como proprietário de uma plataforma de apostas, foi preso na manhã desta quinta-feira (21) em Campinas (SP), durante a Operação "Jogo Sujo", que investiga uma organização criminosa suspeita de atuar com jogos de azar e apostas ilegais.
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A prisão ocorreu em um apartamento de alto padrão no bairro Nova Campinas. Segundo a Polícia Civil, Janjon seria um dos integrantes do esquema e atuaria como administrador da estrutura ligada às plataformas investigadas.
De acordo com a Polícia Civil, o suspeito foi preso por meio de mandado de prisão preventiva e deve responder por crimes como associação criminosa e estelionato.
Durante a operação, agentes apreenderam dois veículos de luxo avaliados em mais de R$ 1 milhão, além de celulares, cartões bancários, notebook, bolsas e mais de 10 relógios de grife. Um dos relógios apreendidos teria valor aproximado de R$ 1 milhão.
Em nota, a defesa de Janjon classificou a prisão como "totalmente inadequada e desproporcional". Leia o texto completo abaixo.
Alberth Cesar Janjon, apontado como dono de uma plataforma de apostas, foi preso pela Polícia Civil
Reprodução/YouTube
Padrão de vida elevado
O delegado Sandro Jonasson, da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Campinas, afirmou que o investigado mantinha um padrão de vida elevado sem apresentar uma origem financeira considerada compatível.
"Esse cidadão ostentava um padrão de vida elevadíssimo, sem uma renda estabelecida, sem uma procedência financeira crível", afirmou.
As investigações começaram a partir de apurações da Polícia Civil do Ceará e identificaram uma suposta rede criminosa com atuação em seis estados: São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Santa Catarina, Ceará e Bahia.
Segundo a polícia, o grupo utilizaria blogueiros e influenciadores digitais para atrair pessoas às plataformas. Os influenciadores indicavam, recomendavam e davam credibilidade aos jogos apresentados aos seguidores.
Ainda conforme a investigação, um dos influenciadores envolvidos possuía mais de 3 milhões de seguidores. A polícia ainda apura a forma de remuneração dessas divulgações, se por pagamentos fixos ou por comissão baseada na captação de usuários.
A polícia também informou que o principal líder da organização teria tentado deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos, mas acabou tendo o visto cancelado e foi preso ao retornar ao país pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos.
As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e dimensionar o alcance financeiro do esquema. A Polícia Civil afirma que os prejuízos provocados pelo grupo podem chegar a dezenas de milhões de reais.
Polícia Civil de Campinas apreendeu carros que, juntos, valem mais de R$ 1 milhão
Polícia Civil/Divulgação
CPI das Bets
Além da prisão, Janjon já havia aparecido no radar da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets no Senado.
Em dezembro de 2024, a senadora Soraya Thronicke (PSB) apresentou requerimento para convocá-lo como testemunha da comissão, citando o nome dele como proprietário da Brabet e sócio-administrador da empresa Zils Transfer Games Participações Societárias Ltda.
Na justificativa do requerimento, a senadora argumentou que a convocação era necessária diante de denúncias relacionadas às empresas administradas por Janjon e para esclarecer "eventuais irregularidades e suas possíveis implicações no mercado de apostas online e no orçamento das famílias brasileiras".
Em nota, a BB Gaming, detentora do registro da marca Brabet, afirmou que não mantém qualquer vínculo societário, comercial ou operacional com o Alberth Cesar Janjon e "refuta categoricamente as informações de que ele seja proprietário da empresa". Confira o posicionamento clicando aqui.
Polícia Civil apreende relógios de luxo em operação contra jogos de azar em Campinas
Polícia Civil/Divulgação
O que diz a defesa
"A defesa informa que se trata de um processo oriundo do interior do Ceará, que apura supostos pagamentos realizados a influenciadores para divulgação de plataformas conhecidas como “Jogo do Tigrinho” e outros jogos de azar.
O investigado foi indevidamente vinculado a essas pessoas, embora já atuasse no segmento de apostas esportivas dentro das normas atualmente exigidas pela legislação brasileira. Além disso, os fatos mencionados são antigos e já são objeto de apuração em outro processo em andamento.
Inclusive, nesse outro procedimento, sequer houve decretação de prisão preventiva pelo juízo competente, o que demonstra a ausência dos requisitos legais para a medida extrema agora imposta. Assim, observa-se uma duplicidade investigativa sobre fatos substancialmente semelhantes, já analisados em outro contexto processual.
Diante disso, a defesa entende que a prisão preventiva mostra-se totalmente inadequada e desproporcional. O investigado é empresário, possui residência fixa, atividade lícita conhecida e apresentou comprovação da origem e aquisição dos bens apreendidos.
Ressalte-se, ainda, que parte dos bens levados pela polícia — entre eles, dois veículos localizados na residência — sequer pertencem ao investigado, circunstância que teria sido ignorada durante o cumprimento das medidas de apreensão."
O que diz a Brabet
"A BB Gaming Ltda., detentora do registro da marca Brabet perante o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), esclarece que não mantém qualquer vínculo societário, comercial ou operacional com o sr. Alberth Cesar Janjon e refuta categoricamente as informações de que ele seja proprietário da empresa. Constatamos ainda que o sr. Alberth foi sócio da empresa ON-LINE GAMES DIVERSÕES E ENTRETENIMENTO LTDA. e que esta usava indevidamente o nome de fantasia BRABET em seu CNPJ, que está inativo desde 09/10/2024."
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