Quem já 'caçou' gabiroba? Conheça tudo sobre esse fruto brasileiro; vai do azedo ao doce

  • 01/03/2026
(Foto: Reprodução)
Antes da fruta da guavira nascer, as flores encantam e colorem o cerrado Antes das telas, dos jogos online e dos algoritmos que disputam a nossa atenção, havia brincadeiras que começavam no quintal ou na beira da estrada de terra. Bastava saber a época certa, seguir o cheiro doce no ar e caminhar mata adentro. 📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp A “caça” à gabiroba não era apenas sobre colher um fruto, mas sobre descobrir o tempo da natureza, dividir a colheita e criar vínculos com a paisagem. Gabiroba é o nome popular dado aos frutos do gênero Campomanesia, da família Myrtaceae, a mesma da goiaba e da jabuticaba Marcelo Kuhlmann Em meio a tanta tecnologia, essa memória segue viva no interior do Brasil, guardada no gosto azedo que vira doce e nas histórias que atravessam gerações. É nesse território do afeto – bem distante da lógica acelerada do mundo digital – que a gabiroba continua resistindo. Um fruto nativo, simples e intenso, que carrega saberes tradicionais, identidade cultural e uma relação direta com a natureza que muitos pensam ter ficado no passado, mas que ainda pulsa forte fora do wi-fi. AMOR OU SOBREVIVÊNCIA? Ciência explica por que macaco rejeitado pela mãe 'adotou' pelúcia VÍDEO: Maquiadora viraliza ao 'se transformar' em aves brasileiras; incluindo raridades BOAS NOVAS: Pesquisa da USP revela que própolis verde tem potencial contra Alzheimer e Parkinson Entre as aves atraídas pelas gabirobeiras estão os psitacídeos Marcelo Kuhlmann O que é a gabiroba? A gabiroba é o nome popular dado aos frutos do gênero Campomanesia, da família Myrtaceae, a mesma da goiaba, da jabuticaba e da pitanga. Segundo o biólogo e doutor em Botânica Marcelo Kuhlmann, o Brasil possui cerca de 40 espécies e variedades descritas de gabiroba, distribuídas por todos os biomas nacionais. Os nomes populares variam conforme a região – gabiroba, guabiroba, guabiraba ou guavira Mauricio Mercadante/iNaturalist Os nomes também variam conforme a região – gabiroba, guabiroba, guabiraba ou guavira – e têm origem no tupi, significando “fruto brilhante”. Já o nome científico Campomanesia é uma homenagem ao explorador espanhol Pedro Rodríguez Camponánes, do século XVIII. A família das frutas A família Myrtaceae é uma das mais importantes da flora brasileira, com mais de mil espécies descritas. “Ela é conhecida como a ‘família das frutas’, porque reúne diversas espécies com frutos comestíveis, muito presentes na alimentação tradicional”, explica Kuhlmann. As gabirobeiras podem variar bastante de porte, indo de arbustos baixos a árvores que chegam a 30 metros de altura Marcelo Kuhlmann Além da gabiroba, fazem parte desse grupo plantas como goiabas, araçás, jabuticabas, pitangas e cambuís. Em geral, os frutos dessa família não apresentam toxicidade, embora o consumo seguro dependa do conhecimento das espécies e de suas características. Como reconhecer uma gabirobeira As gabirobeiras podem variar bastante de porte, indo de arbustos baixos a árvores que chegam a 30 metros de altura, dependendo da espécie e do ambiente. Uma característica marcante está nas folhas, que apresentam nervuras curvas, formando arcos bem visíveis – detalhe importante para identificação no campo. Uma característica marcante está nas folhas, que apresentam nervuras curvas, formando arcos bem visíveis Marcelo Kuhlmann As flores são pequenas, geralmente brancas, com cinco pétalas, surgindo isoladas ou em pequenos agrupamentos nas pontas dos ramos. Já os frutos possuem várias sementes internas, organizadas em compartimentos e envoltas por pequenas glândulas que liberam uma substância amarelada e levemente amarga. Onde a gabiroba é encontrada e quando frutifica As gabirobas ocorrem em todo o território brasileiro, mas cada região abriga espécies diferentes. No Cerrado, são comuns espécies como Campomanesia adamantium, C. pubescens e C. velutina. No Sudeste, destaca-se a Campomanesia xanthocarpa. No Cerrado, a floração acontece no início da primavera e a frutificação ocorre entre novembro e dezembro, durante o período chuvoso. As flores são pequenas, geralmente brancas, com cinco pétalas, surgindo isoladas ou em pequenos agrupamentos nas pontas dos ramos Marcelo Kuhlmann “A frutificação é curta, geralmente dura cerca de duas semanas”, explica o biólogo. Por isso, encontrar gabiroba no ponto certo é motivo de festa. Uma fruta adaptada ao Cerrado A gabiroba é um exemplo de planta adaptada à sazonalidade do Cerrado. Suas raízes profundas ajudam a armazenar água, enquanto as folhas mais espessas, pilosas e ricas em óleos essenciais reduzem a perda de umidade. As sementes são do tipo recalcitrantes, ou seja, não toleram o ressecamento. “Elas precisam ser colocadas para germinar logo após serem retiradas do fruto, caso contrário perdem a viabilidade”, explica Kuhlmann. No Cerrado, a floração da gabirobeira acontece no início da primavera Marcelo Kuhlmann Do azedo ao doce: o amadurecimento do fruto Quando verde, a gabiroba é bastante azeda e adstringente – aquela sensação de “amarrar” ou ressecar a boca, comum em frutas ainda imaturas. Isso acontece porque, nessa fase, o fruto concentra ácidos e taninos, substâncias que reduzem a salivação e tornam o sabor menos agradável, funcionando como uma proteção natural contra o consumo precoce, antes que as sementes estejam completamente formadas. Quando verde, a gabiroba é bastante azeda e adstringente – aquela sensação de “amarrar” ou ressecar a boca Marcelo Kuhlmann Durante o amadurecimento, ocorre uma transformação química: os ácidos diminuem, o amido se converte em açúcares e a polpa se torna mais macia e aromática. “É uma estratégia da planta para sinalizar que o fruto está pronto para consumo e dispersão das sementes”, explica o biólogo. Tamanhos, cores e sabores Os frutos variam bastante entre as espécies. Podem medir de 1 a 8 centímetros de diâmetro, embora a média fique entre 2 e 3 centímetros. A casca pode ser lisa, rugosa ou ornamentada, e as cores vão do verde ao amarelo, laranja, vermelho, vináceo e até tons arroxeados. Os frutos podem medir de 1 a 8 centímetros de diâmetro Marcelo Kuhlmann O sabor também varia, com espécies mais ácidas ou mais doces, mas geralmente apresenta um equilíbrio característico entre doçura e acidez. Uso tradicional, ciência e cultura Na medicina popular, folhas e cascas da gabiroba já foram utilizadas em chás e infusões para tratar problemas digestivos, inflamações e infecções urinárias. Estudos científicos indicam propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e antimicrobianas, além de teores relevantes de vitamina C, ferro e potássio no fruto. Mais do que alimento ou objeto de estudo, a gabiroba carrega identidade cultural. Para quem cresceu no interior, “caçar gabiroba” era um passatempo. “É uma alegria encontrar o fruto no mato. Vivi isso na infância e faço até hoje”, conta o biólogo Marcelo Kuhlmann. A prática também é cercada de histórias e crenças populares. Uma das mais conhecidas diz que sempre há uma cobra à espreita embaixo de um pé de gabiroba. Segundo Marcelo, a lenda tem fundo biológico, já que serpentes podem se abrigar em árvores frutíferas à espera de animais atraídos pelos frutos. Gabiroba do Cerrado é uma das PANCs que podem ser experimentadas na intervenção Adriana Tiba “Mas isso vale para qualquer planta frutífera, não só para a gabiroba”, explica. Ele brinca que o mito pode ter servido, muitas vezes, para afastar concorrentes da colheita: “Cuidado para não ir catar gabiroba, senão a cobra pica…assim sobra mais fruto para quem contou a história”. Em Mato Grosso do Sul, desde 2017, a gabiroba – conhecida popularmente como guavira – é reconhecida por lei como o fruto símbolo do estado. Em novembro, época da colheita, acontece o Festival da Guavira, em Bonito. Herdada dos povos indígenas Terena, a prática da “Cata Guavira” reúne moradores e visitantes nas estradas e áreas rurais para colher o fruto que nasce espontaneamente, sem intervenção humana. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2026/03/01/quem-ja-cacou-gabiroba-conheca-tudo-sobre-esse-fruto-brasileiro-vai-do-azedo-ao-doce.ghtml


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