Região de Campinas tem paciente na fila por transplante há 9 anos: 'Debilita bastante'

  • 21/09/2026
(Foto: Reprodução)
Fila em SP tem mortalidade de 33% entre pacientes à espera de transplante de fígado A rotina do vendedor Fernando Silva, de Americana (SP), é marcada por sessões de hemodiálise que duram até quatro horas, pelo menos três vezes na semana. Há nove anos na fila por um transplante de órgãos, ele ilustra o drama de mais de 29 mil pacientes que aguardam por uma cirurgia no estado de São Paulo. O vendedor perdeu a função dos rins devido a um quadro de diabetes descoberto ainda na infância. Na tentativa de solucionar os dois problemas de saúde de uma só vez, ele chegou a aguardar cinco anos por um transplante duplo. "Quando eu fui chamado para fazer esse transplante [pâncreas e rim], chegando lá nos últimos exames, foi constatado que eu não podia fazer. Então eu saí dessa fila e entrei para a fila só do rim", relembra o paciente. Enquanto o chamado para a cirurgia não chega, o vendedor tenta se sustentar trabalhando em casa nos intervalos do tratamento, já que a filtragem do sangue por meio de agulhas o deixa fisicamente debilitado. "Debilita bastante e é difícil eu conseguir sair", relata. O vendedor Fernando Silva, de Americana (SP), espera na fila de transplante há nove anos Reprodução/EPTV Atualmente, a lista por um transplante em São Paulo contabiliza um aumento de 11% no número de pessoas em relação ao ano anterior. O vigilante Julio Cesar, de 46 anos, de Campinas, voltou a compor a estatística em 2022, após já ter vivenciado a experiência de receber um novo rim no passado. "Na pandemia eu acabei pegando Covid, fiquei mal, fiquei 36 dias na UTI e acabei perdendo o rim novamente", lamenta Julio. Ele relata a dificuldade de voltar às severas restrições médicas. "A gente fica ansioso. Como é viver podendo beber água, ingerir líquidos normal e, de repente, ter que cessar tudo isso", desabafa. Mortalidade na fila No estado de São Paulo, a fila de espera apresenta taxas de óbitos que variam de acordo com o órgão necessitado: Fígado: 33%; Coração: quase 25%; Pulmão: 13%; Rim: 7%. O coordenador do Sistema Estadual de Transplantes, Francisco Monteiro, explica que não há órgãos suficientes para atender à demanda. "A mortalidade em lista varia muito. De acordo com a gravidade do paciente, o tempo de espera por um transplante. Como eu não tenho órgão para todo mundo na mesma velocidade, ele também pode evoluir ao óbito", ressalta. Recusa familiar Manter a vida de quem está na fila exige procedimentos complexos. Em muitos casos, sobretudo para pacientes cardíacos ou hepáticos, há a necessidade de internações prolongadas e do uso contínuo de medicamentos invasivos. Para reverter o cenário de espera e aumentar as chances de sobrevida, os profissionais de saúde esbarram em um obstáculo. A legislação brasileira determina que a doação só ocorre mediante autorização expressa da família, o que torna a conscientização dos parentes a principal solução para alavancar os procedimentos. "Com isso [a conscientização] eu ganharia 30% a 35% de mais doadores que hoje são descartados porque a família não autoriza", conclui Monteiro. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/09/21/regiao-de-campinas-tem-paciente-na-fila-por-transplante-ha-9-anos-debilita-bastante.ghtml


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