Repressão, tortura e ativismo: história de moradora de Campinas presa 3 vezes na ditadura vira podcast

  • 31/03/2026
(Foto: Reprodução)
Robêni Baptista da Costa, moradora de Campinas (SP), viveu duras experiências da repressão política durante a ditadura militar brasileira: ela foi presa três vezes durante o regime militar e detida novamente nos anos 1980, já no processo de redemocratização. Erika de Faria A moradora de Campinas (SP) Robêni Baptista da Costa viveu duras experiências da repressão política durante a ditadura militar brasileira: ela foi presa três vezes durante o regime militar e detida novamente nos anos 1980, já no processo de redemocratização. Após enfrentar repressão e torturas severas, a mulher continuou ativa politicamente, com iniciativas de apoio comunitário e mobilização social. A trajetória de Robêni é tema do primeiro episódio de "As Vozes da Resistência", podcast documental lançado pela produtora campineira NuOlhar que estreia nesta terça-feira (31), data que marca o golpe de 1964, nas principais plataformas de áudio. 📲 Participe do canal do g1 Campinas no WhatsApp Veja os vídeos que estão em alta no g1 Repressão, tortura e ativismo A primeira prisão ocorreu em 1968, durante o congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Ibiúna, considerado a maior prisão em massa do movimento estudantil no país. Nos anos seguintes, Robêni passou a atuar vinculada à Ação Libertadora Nacional (ALN), mantendo atividades de resistência política, principalmente na organização, produção e circulação de materiais. Em 1969, ela foi presa novamente e levada para a Operação Bandeirante (OBAN), um dos principais centros de repressão do regime militar. A terceira prisão aconteceu em 1971 e foi a mais violenta. Robêni foi submetida a torturas físicas severas, incluindo choques elétricos, nudez forçada e humilhações. Após passar pela OBAN, ela foi transferida para o Presídio Tiradentes, onde permaneceu por quase dois anos junto a outras presas políticas. Mesmo diante das condições adversas, a convivência coletiva e a organização interna entre as mulheres funcionavam como estratégia de sobrevivência. Com a redemocratização, Robêni seguiu ativa politicamente. Em 1980, foi uma das signatárias da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT). Décadas depois, continuou participando da vida política e social, com atuação no cotidiano, em iniciativas de apoio comunitário e mobilização social. Podcast Bastidores da gravação do podcast documental "As Vozes da Resistência". Divulgação/NuOlhar O podcast "As Vozes da Resistência" terá cinco episódios, cada um dedicado à trajetória de mulheres que viveram a repressão e participaram da resistência à ditadura, por diferentes caminhos. Além de Robêni, os episódios trazem relatos de Ana Maria Ramos Estevão, Tânia Mendes, Regina Elza Solitrenick e Criméia Almeida. O projeto parte da constatação de que a história da ditadura brasileira foi narrada, em grande parte, por protagonistas masculinos. Ao colocar mulheres no centro dessas narrativas, a série busca ampliar a compreensão sobre o que foi resistir naquele período, destacando também formas de enfrentamento menos visíveis, como redes de apoio, articulação, informação e cuidado. O podcast integra um projeto multiplataforma, que inclui ainda um portal com material de pesquisa, entrevistas e arquivos, além de conteúdos publicados nas redes sociais. VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias da região no g1 Campinas Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/03/31/repressao-tortura-e-ativismo-historia-de-moradora-de-campinas-presa-3-vezes-na-ditadura-vira-podcast.ghtml


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