'Se eu bater mais nele, ele desmonta': crianças abusadas por pai e madrasta gravaram agressões por jogo online
13/03/2026
(Foto: Reprodução) Pai e madrasta foram condenados por torturar três crianças em Campinas
Polícia Militar/Reprodução/Redes sociais
Crianças que sofriam abusos do pai e da madrasta em Campinas (SP) conseguiram registrar as agressões por meio de um jogo online. Um dos meninos participava da chamada junto com a própria mãe, que ouvia tudo à distância.
A madrasta, que estava foragida, foi presa nesta sexta-feira (13) pela Polícia Militar. O pai das crianças foi preso no início de fevereiro em Araruama, na Região dos Lagos do Rio.
O g1 não vai divulgar os nomes do casal para preservar a identidade das crianças envolvidas.
Na época da denúncia, os irmãos tinham 8, 10 e 13 anos. Os áudios foram anexados à acusação apresentada pelo Ministério Público (MP). Nas gravações, o pai, de 40 anos, e a companheira aparecem fazendo ameaças constantes.
Em um dos trechos, após a madrasta reclamar da conduta de uma das vítimas em relação aos deveres de casa, o pai manda que ela bata no menino. A mulher responde: “Se eu bater mais nele, ele desmonta”. Em seguida, diz: “Você tem que desmontar ele, você é pai dele”.
Em outro áudio obtido pelos promotores, a madrasta afirma que recebeu orientação do pai para “dar um murro na cara das crianças toda vez que elas pedirem comida”. Em outra gravação, o homem se refere aos filhos como animais e aparece participando e presenciando diversas agressões.
A denúncia afirma que as agressões ocorreram entre outubro de 2015 e julho de 2021, período em que as crianças ficaram sob a guarda do pai após a mãe sofrer um acidente de trânsito que a deixou com a saúde debilitada.
Em 2021, a mãe biológica conseguiu recuperar a guarda unilateral das crianças. No processo, é relatado que os meninos contam, sorrindo, que gostam “bastante” da vida com a mãe e dizem que saem com ela para restaurantes, parquinhos e também jogam juntos.
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Choques e enforcamentos
Em depoimento, os irmãos contaram que já sofriam agressões do pai antes de a madrasta ir morar com eles. Depois da chegada dela, porém, os dois passaram a participar das violências.
Segundo relataram, eles eram espancados com cinto, raquete de choque, chinelo, frigideira e colher de pau, além de sofrerem enforcamentos. As crianças também disseram que apenas o pai e a madrasta comiam carne, enquanto elas recebiam apenas arroz, feijão e ovo.
De acordo com os depoimentos, o pai chegou a bater a cabeça de um dos filhos no chão e também levantou uma das crianças pelo pescoço contra a parede. O pai ainda ameaçava matar os filhos caso eles contassem à mãe sobre as agressões.
O irmão mais velho afirmou que o caçula, diagnosticado com autismo grau 3 de suporte, era submetido a “tortura”. Ele disse que frequentemente tentava proteger os irmãos, mas acabava apanhando ainda mais por causa disso.
Condenação
Em 2024, o pai foi condenado a 7 anos, cinco meses e 18 dias de prisão em regime fechado. A madrasta também foi condenada, recebendo pena de 6 anos de prisão, igualmente em regime fechado.
A defesa da mulher informou que ela "se entregou espontâneamente na manhã de hoje (13/03/2026), na Delegacia de Mogi Mirim, para assegurar sua integridade física, fato que foi previamente informado à Magistrada responsável pelo processo".
O g1 tenta localizar a defesa do pai.
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